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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sustentabilidade é moda e é falsa



Será que empresas como a M. Officer podem mesmo ter a imagem lavada aos olhos de defensores do meio ambiente e animais?


Minha manifestação
Ontem passei pela loja M. Officer e a olhei com cara de nojo, como sempre faço. A loja vende algumas roupas feitas de pele. O dono, Carlos Miele, não demonstra nenhuma compaixão pelos animais. Ele deu uma entrevista, em 2011, dizendo que os animais de cativeiro são criados para isso e que devem ser consumido por completo, até o osso. Disse ser contra uso de animais selvagens para esse fim e que “se não podemos usar peles de animais de cativeiro, temos de discutir se podemos continuar comendo peixes e carnes". (peixe é carne, mas ok, ele deve comer só as escamas ou as espinhas, sei lá.)

Percebo que a única motivação dele é a lei. Não é questão de poder ou não, senhor Miele. Podemos usar pele e comer carne, mas será que devemos?

Pior ainda é trecho do comunicado oficial sobre esse assunto, pois senti que eles fizeram o público de idiota. "Somos absolutamente contra qualquer tipo de maus-tratos aos animais e apoiamos incondicionalmente qualquer solução inteligente, mudanças, leis e órgãos oficiais de controle para as questões que afligem o meio-ambiente e a vida no planeta". Eles apoiam incondicionalmente mudanças porque sabem que uma mudança mais radical está longe de acontecer.

Isso foi ano passado, mas, para mim, nunca vai passar. Foi então que ontem, quando passava pela loja, uma mocinha saiu de lá com uma sacola bege com um grande símbolo de reciclável ao lado: "nossa! que loja sustentável, heim, usando sacolas recicladas!".


O diabo veste verde
Que grande hipocrisia que virou esse lance de sustentabilidade! A loja quer se fazer de sustentável por usar uma sacola reciclável, mas usa roupa de pele de animal. Eu imagino em relação à coisas simples, do dia-a-dia, por exemplo, separar lixo reciclável ou economizar energia e água. Não aparece na mídia e nenhuma lei obriga, será que cuidam disso? Essa loja até tem parceria com uma cooperativa, mas porque isso valoriza a marca, as pessoas veem, tá na mídia. Para mim, isso é apenas um planejado e grande greenwashing

Não tem que ser moda.
Deveria ser: "o CERTO é preservar"
Virou moda parecer sustentável. Infelizmente, percebo que essa sustentabilidade é falsa. Eles dizem apoiar mudanças de lei, mas, cara, a MUDANÇA começa com CADA UM DE NÓS. Começa em cada atitude nossa e de nossos negócios. Fazer a parte deles, espontaneamente, eles não fazem. Até quando vão nos enganar? Empresa sustentável é empresa que tante ao máximo estar em harmonia com o natureza, e não empresa que só segue moda... Mas o que poderíamos esperar de uma empresa como essa, não é mesmo? Nada contra moda em si... Minha revolta se estende a todas as empresas "greenwasheras"!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sedução da tragédia


Semana passada resolvi que eu deveria voltar ler notícias, ver telejornal... Há meses me desvio desse tipo de informação. "Que menina chata", pensei certa vez, "não sei dos assuntos atuais para conversar com meus amigos". Então, apesar de ter sempre opinião sobre tudo [hehe], achei que poderia ser legal entrar num site jornalístico.

Acessei um portal de notícias e variedades, daqueles conhecidos, com muita coisa escrita, publicidade, cores fortes... As notícias que me chamaram atenção foram o filho do cantor Leonardo gravemente ferido e cinco jovens que haviam morrido, os dois casos por causa de acidente de carro.

Li a notícia do cantor e pensei, meio triste, "espero que ele esteja bem, que ele se recupere". Abri a notícia sobre os jovens. Chorei. Fiquei nervosa. Tremi. Pensei que podiam ser meus amigos. Fechei sem ler até o final, eles tinham morrido, não era novela ou outro tipo de ficção, para esse tipo de coisa não existe "Ctrl+Z". Fechei o navegador depois de me arrepender de ter aberto.

Isso sempre acontece comigo. Não sou a mais informada da turma, por que odeio ficar vendo notícia ruim, lendo coisas sobre famosos, assistir programas de TV e me dá agonia de ver como o jornalismo é.

Agora pouco cheguei em casa e sentei na sala para carregar meu celular, na TV passava o ex-gordo zoando um gordinho [eufemismo] que havia caído de cara num carro, no quadro de cassetadas. Uma, ao meu ver, sacanagem que já dura décadas [pelo menos umas duas, né?!]. Nunca vi graça nesse quadro, acho que isso é rir da desgraça do outro e muita falta de coisa pra fazer.

No momento estou na cozinha enquanto passa o programa dominical das 21h na TV Plin Plin, realmente é um programa como o nome descreve... Fantasticamente pesado, como todos os outros do canal, concorrência e outros veículos. Apesar da racional vontade de não ver e lutar contra isso, eu passo pela sala e fico olhando, começa a me dá agonia e volto pra cozinha. Isso aconteceu umas 3 vezes. Ou seja, eu tenho que lutar conscientemente para não ficar ali, porque toda aquela linguagem realmente seduz.

Não só me incomoda pela parte fútil, pela parte que as pessoas trocam bons momentos de leitura por momento de estupidez,  isso eu já me acostumei e não tenho nem vontade de convencer ninguém do oposto [fora que sei do potencial que eles - a Tv e o telecpectador - têm é de fazer algo fantasticamente bom].

O que me incomoda é a parte da tragédia, do drama. O programa de TV também falou sobre o filho do cantor, eu estava colocando meu celular pra carregar e nesse meio tempo minha cunhada entrou na sala perguntando "ele morreu?", e apesar de ter sido bem legal a TV ter feito essa matéria ele estando vivo, é também muito chato pensar que esse tipo de matéria costuma ser feita quando a pessoa bate as botas.

A sedução da tragédia me incomoda fortemente. Eu não consigo ficar leve com esse tipo de notícia ao meu redor. E é só tragédia ou besteira. Fico com meu coração e meu estômago apertados, tenho vontade de chorar, me arrepia.

A gente aprende que as notícias vinculadas nas mídias [devem] ter relevância e ser interesse público... mas sei lá, se alguém me perguntasse, isso seria totalmente irrelevante para mim. Se não fosse o costume, aposto que as pessoas não gostariam também.

Pior que essa cultura  faz que as coisas do dia a dia que são esfregadas na nossas caras passem despercebidos.  Quantas vezes passamos por gente dormindo na rua e nem vemos? Não dá pra saber, eles costumam ser invisíveis aos que já estão calejados com tragédia.

Eu concluo, portanto, que apesar do meu pequeno esforço de querer me manter informada, como eu tenho o livro arbítrio e "os incomodados que se mudem", eu posso sim ter a escolha de ser ou não [esse tipo de] informada e não me sentir mal por isso.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Vou largar tudo e ser FELIZ!!!!!

Fui ser FELIZ!!!!!!


          No dia em que eu largar tudo e for morar em São Miguel dos Milagres, minhas amigas do colégio que diziam que eu vivia em outro planeta, em um mundinho perfeito só meu, não vão estranhar e dizer “eu disse”.
No dia em que eu largar tudo e for morar em Alto Paraíso de Goiás, meus colegas que me criticaram, tentando me ofender, dizendo que eu vivia em um mundo utópico, que eu mesma criei, vão ficar de queixo caído.
No dia em que eu largar tudo e for morar em Belém do Pará, vai ser pra me afastar do caos, do aperto diário nos transportes públicos, do medo da violência urbana e da falta de solidariedade...
No dia em que eu largar tudo e for morar em Madre de Deus, não vou estranhar se eu não me adaptar no começo, mas vou me martirizar se eu tiver vontade de voltar.
A gente já está mais do que acostumado com essa loucura e eu simplesmente não consigo entender. Como podemos nos adaptar a um sistema que só nos quer mal?
O que são as coisas? Ter, não ter... Trabalhar pra ter, descansar para o outro dia voltar a trabalhar. E ter, comprar, ser melhor que o outro “tendo”.
Um dos motivos que eu não largo tudo e vou para Oiapoque ou pro Chuí hoje mesmo é porque ainda não consigo ser egoísta assim... É egoísmo, mesmo. Não tem outra palavra pra descrever o que seria largar tudo e tentar a simplicidade de ser feliz.
Egoísmo com quem precisa de mim aqui.
Mas seria também egoísmo com o sistema e ele bem que merece que eu, ou melhor que todos nós fizéssemos isso, sabe, simplesmente ser feliz.
Esse sistema que nunca se importou se estamos ou não, bem. Que nunca perguntou se precisamos de algo mais para ser feliz. Ele simplesmente impõe estilos de vida suicidas, regras para que nos tornemos maus e nos enfia na cabeça desejos que, na verdade, são frutos da propaganda e não do coração.
De que vale a vida se a gente quer só ter e esquece de ser? Afinal, nosso único e maior desejo é ser feliz.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Desabafo por um País mais Justo


Assista esse vídeo. Complemente as informações nos comentários. Estou revoltada, aproveitei o auge da minha falta de paciência com o serviço público para escrever o texto e depois gravar. Desculpa se falei alguma besteira, se dei alguma informação errada.


A GENTE QUER ORDEM. A GENTE QUER PROGRESSO. A GENTE QUER HOJE.


Uma ideia, por mais mediana que seja, divulgada, acredito valer mais do que uma boa ideia guardada.


Se você acreditar na mensagem do vídeo, passa pra frente. Fiz o que eu podia, não posso fazer você comprar essa briga comigo se não acreditar. Agora a batata tá na sua mão: curtiu de verdade? Compartilha! Não custa nada e quem tá no vídeo sou eu, mesmo... não há motivo pra se envergonhar hahahhha..

Vai que é tua, Brasil!!!!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Beijo na Boca

Ontem puxei assunto com um colega que trabalha na mesma ONG que eu, não somos amigos, mas me desperta simpatia. Fiquei sabendo que ele estava em uma vibe muito loucaFui falar com ele, me disse que estava na vibe de meditação, respiração e boas vibrações... Depois que voltei de Alto Paraíso ando meio querendo virar hippie, mesmo não conseguindo me desapegar de tecnologias, ainda. E comentei isso com ele, trocamos algumas ideias, poucas.

Comentei da minha busca por um curso de yoga e eu disse que enquanto não encontrava, (bomba:) eu ia dar um beijo na boca dele para pegar um pouco daquela energia. Ele não disse nada, apenas me ignorou. Pensei em dizer "tô brincando", ou algo do tipo, mas resolvi ignorar também. Resolvi deixa-lo pensar o que quisesse de mim, e refletir e escrever sobre o que eu disse. Aqui estou.

Por que as pessoas relacionam beijo na boca ou qualquer tipo de carinho e manifestação de afeto como algo pesado, como se eu estivesse convidando ele para sair, pedindo pra namorar ou morar junto? E eu nem gosto dele desse jeito, eu disse aquilo porque no momento me identifiquei com a vibe... 

Não era um beijo social, cara, era um beijo espiritual. 

O que eu quero dizer com esse lance do beijo é em relação a compartilhar as vibrações. Quando duas pessoas estão se beijando, elas trocam energia. E eu gosto da ideia de trocar energia com pessoas de vibrações positivas. 

Mas não um beijo social, um beijo espiritual, mesmo que consumado em um ato físico de troca de saliva. 


Para o beijo ser bom, tem que haver sintonia, não é? Então além da sincronia do corpo, os espíritos devem estar também em harmonia.

Beijo, sexo, dança... Para mim não é social, é espiritual. Espiritual, mas não religioso. Espiritual de tal forma que não é necessário estar apaixonado por alguém para trocar energia com o outro ser, mas se estiver, a sensação é mais forte, e se for correspondido, então, a troca é ainda mais intensa.

O beijo na boca foi instituído como algo político. "Se eu beijar esse cara gato minhas amigas vão morrer de inveja", "vou pegar aquela gostosa para os caras pagarem um pau...", "vou namorar essa pessoa porque meus pais vão sentir orgulho de mim" ou "vou namorar essa pessoa porque meus pais vão ficar com raiva". Ah, acontece, uai!

E quando não é político, é instinto, químico, sabe o lance do feromônio? E  também não está entrando em harmonia com o outro ser, e está apenas querendo satisfazer uma necessidade fisiológica.

E isso se replica ao sexo... e a dança. A sociedade meio que impõe que você deve beijar quem mantém o seu status quo, mulher que faz sexo casual é julgada vadia... e dançar? Por que tem gente que não consegue se soltar e deixar levar?

Os meninos só querem beijar meninas bonitas, por status. Os homens só querem beijar mulheres gostosas por status. As meninas só querem beijar os meninos bonitinhos por status, as mulheres só querem beijar os gostosos por status. E quanto mais o homem beijar, melhor ele é. E quanto mais a mulher beijar, mais galinha ela é. Encontra o social aí? A regra é clara...

Para mim é muito estranho tudo isso. 

E não precisa entender, porque é bem difícil entender, esse foi um dos textos mais difíceis de escrever, de longe. 

Essa reflexão tem mais a ver com sentir. Se você nunca parou pra pensar nisso e resolver não pensar, não significa que você não age, agiu ou agirá assim. Afinal, é espiritual, não racional. Está além desse plano aqui.


Concluindo:
O beijo é quântico, assim como a dança e o sexo...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Leia Gênesis que você vai entender


Fonte da Imagem
              A questão foi levantada por um contato meu do Facebook, que sempre traz questões interessantes a serem debatidas. Não coloco a postagem nem as opiniões se não teria que postar tudo, por causa do contexto. Mas foi interessante. A não ser porque fiquei pensando... E pensar é ruim (brincadeirinha!!!), por que quero respostas que nunca terei. 

       Era um papo sobre religião, Deus e extraterrestres. E aí, se Deus e Anjos são seres extraterrestres, será possível haver outros, tipo alienígenas? Acredito que o objetivo era dar mais a opinião mesmo, nada científico. E uma das opiniões foi que Deus não ia deixar seres espalhados ou "esquecidos" pelo Universo, então pra ela não existia. 

Fonte da Imagem
       Aí perguntei se, segundo a Bíblia, Deus tinha feito só a Terra ou todo o Universo, e se fez só a Terra, quem fez o resto; e se foi o Universo todo, porque não faria e amaria outros seres, em outros lugares. Tive a seguinte resposta: "Leia Gênesis que você vai entender".

       Apesar do respeito que tenho pela opinião, vejo um buraco nessa explicação, "Leia Gênesis que você vai entender" por que essa resposta me parece muito artificial, mecânica. Acho que não é o que essa pessoa acredita, para dar seu ponto de vista, argumentar e por isso só tem uma resposta, que não vem do raciocínio, sensibilidade e reflexões próprias e sim de terceiros.

       Acreditar na Bíblia... Se você acredita, faça um esforço a mais para entender o que vou dizer agora: qual é a diferença concreta em acreditar na Bíblia ou em qualquer outro livro, de ficção (mesmo sabendo que o autor escreveu fantasias de sua mente) ou de Ciências (tão bem argumentados)? 

       Acredito tanto em Deus que fico com pena de dizer isso, principalmente por que há chances de ser verdade, da mesma maneira que há chances de não ser. Mas o Deus que eu acredito não me julgará por desconfiar, pois ele me fez assim. 


Alto Paraíso de Goiás: onde, definitivamente, Deus está e onde é também rota de Disco Voador
       Talvez eu leia Gênesis, mas o quanto vou confiar nele? Aí está o ponto. Eu já li o Guia do Mochileiro das Galáxias, ele faz sentido pra mim e pelo menos eu sei quem o escreveu. E eu escuto músicas que traduzem minhas dúvidas e agonias e tentam me dar algumas respostas e me dão paz interior... Ah, sei lá, em que acreditar? Só por que algo é super antigo, tem uma grande tradição, uma grande parte das pessoas acreditam... não quer dizer que seja a resposta da Vida, o Universo e Tudo Mais, é?! 

       "É fé, Gabi, é tudo fé". Se você pensa assim, não me daria uma resposta "Leia Gênesis que você vai entender", por que não vou entender só de ler esse tal Gênesis, preciso acreditar. Se é questão de fé, o argumento deveria ser algo como: "se você tiver fé, se acreditar, você entenderá." Ler Gênesis vai me fazer apenas conhecer a estória, e não a História.



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Sei que é um assunto delicado, respeito todas as religiões e crenças como eu gostaria que respeitassem a minha, portanto, o objetivo aqui não é brigar, desrespeitar, nem bater de frente com sua religião, mas é questionar, refletir, sobre valores que já tive um dia, mas a vida foi me provando que não fazia sentido pra mim.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Todos os sonhos do mundo...

Admito que sou uma estudante de jornalismo relativamente desatualizada. Não que eu não saiba realmente o que está acontecendo, mas tem coisa que eu prefiro não saber em detalhes. Quero que saiba que esse primeiro parágrafo está sendo escrito apenas para me desculpar, verdade.

Ontem me arrepiei ao ver uma foto. Sou sensível demais e ler “desocupação” “milhares de familias” já me faz chorar. Então prefiro não saber. Li (chorei) um pouco sobre o assunto, e não tenho propriedade para falar dele aqui, por isso, procurem no Facebook artigos sobre isso. Aqui falo mais de um sentimento estranho esse que está dentro do meu coração. Vamos lá, é um desabafo.

A Foto que me Fez Arrepiar - Ainda não sei o Autor

 O mundo é dos ricos, as pessoas que vivem a margem da sociedade e são esquecidas, apenas lembradas para serem acusadas, linchadas. Invasores, marginais, traficantes, violentos, resistentes, nunca seres humanos... Aquela máxima de que ‘todo mundo é igual’, só funciona com aquele complemento famoso ‘mas alguns são mais iguais que os outros’ (George Orwell).

Em minhas visitas às comunidades carente com a ONG Um Teto para meu País é unânime a falta de atenção dos nossos ‘representantes’ para com a sociedade. Minha última visita, no sábado, olhei uma pasta com entradas de pedidos não atendidos, e talvez alguns que jamais serão. A representante, eleita com mais de 240 votos, que faz vários cursos, queria fazer faculdade de direito (eu e meus colegas ficamos positivamente surpreendidos) e nos disse que a comunidade está organizada, que as famílias comparecem em todas as reuniões, pedidos e mais pedidos... E nunca têm respostas: "e eu vou falar o que pra eles se eu também não tenho resposta?", nos disse Jo, da associação do Jd. Isildinha, em Guarulhos.

Alguns barracos – e algumas casas de blocos também – destruídas pela Ambiental no Jd. Pantanal... Enquanto isso, todo mundo viu no jornal, eu vi ao vivo: inundação, crianças brincando na água, casas que eu tive certeza que assim que chovesse ia alagar... E diante de tudo isso, a polícia vem derrubar casa?


Eles querem fazer um PARQUE!!!!!! A população não precisa de Parque, precisa de moradia decente, infraestrutura de qualidade, educação e saúde, não de um parque no lugar de suas casas!

Tenho medo de polícia... Ela não deveria zelar pelos nossos direitos? E o direito a moradia? E o direito a uma vida digna? Ameaçam os moradores, oferecem R$ 300 (TREZENTOS!!!!) de bolsa aluguel. Sr. Kassab, Sr. Alckmin, Sra. Dilma! Onde vocês encontram um aluguel de R$ 300? Vocês conseguem viver em um apartamento digno com R$ 300 de aluguel? Onde? Quanto custa o aluguel do seu? Aceitariam se oferecessem R$ 300 para alugar um apartamento? Com esse dinheiro só é possível alugar um barraco, em outro lugar. E quando menos se espera... Esse outro barraco vai abaixo porque é irregular, também. Porque é o que se tem com R$ 300. Isso e promessas de projetos que nunca ficam pronto!

Tudo isso só me faz pensar mais ainda sobre a falta de vontade... dos políticos, dos ricos donos desses lugares, da mídia, dos formadores de opinião. Falta de vontade das comunidades, dos moradores? Falta de vontade de que? De ter uma vida digna, de viver sem doenças? Dar educação e saúde para os filhos? Falta de vontade deles? De ter mais liberdade, de não ter tantos problemas primários? Falta de vontade de trabalhar dignamente? Falta de vontade de ser olhado com mais respeito? Falta de vontade de saber que os filhos estão bem, que eles estão seguros e longe de drogas e álcool?

Não. Eles não têm falta de vontade! Alguns já estão acostumados, sim; outros já estão de saco cheio; alguns não aguentam mais correr atras; mas o problema é que todos estão sem esperança. Culpa de quem não faz o que deveria fazer. Culpa de vocês, sim, senhores políticos e caras que querem seus terrenos de volta só para ficar vazio, mais bonito ou para investir $.

Organizar é muito mais fácil que desapropriar. Mudar o problema de lugar é fácil - e literalmente mudar, porque nada será resolvido, para onde vão essas pessoas? Esconder o problema é fácil, é só jogar pra longe, como lixo. Ou melhor, nem como lixo, vide Rio Pinheiros e Tietê, tão próximo a cidade.

É, meus caros leitores, se as pessoas não têm um teto para morar, o que é o mínimo, quando vão poder se organizar para conseguir água encanada, saneamento básico, ruas asfaltadas, luz elétrica, escolas para seus filhos e hospitais públicos? Como eles terão tempo para superar tanta burocracia para os problemas maiores, com medo diário de perder o teto que têm, onde criam seus filhos? Se eles não tem um teto digno para viver... Onde vão poder cultivar seus sonhos?

terça-feira, 29 de março de 2011

Um olhar diário pela cidade de São Paulo

No meu caminho diário pra faculdade encontrei uma caçamba de entulho da prefeitura... Um pouco cheia, um pouco bagunçada...

Mas tudo bem, né?!

mas e aí...?

Foto: Gabriela Pagliuca

um dia depois, tiraram a caçamba e o entulho...
quer dizer...
mais ou menos...

Foto: Gabriela Pagliuca

E aí, pessoal?
Como fica?


(obs.: às 18h já tinham feito uma limpeza, mas ainda tinha algum vestígio de sujeira)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Viver com dignidade: uma reflexão histórica e cultural

            Porque muitas vezes não sentimos que estamos gozando de todos os recursos para viver com dignidade, para sermos pessoas melhores?
             Não sou especialista em política (estou muito longe disso), mas de acordo com meus conhecimentos acadêmicos e empíricos vou lançar mais uma reflexão, dessa vez baseada nesse tema. Todos nós queremos crescer, sobreviver, evoluir, ter uma vida digna e uma expectativa dela. Mas por que muitas vezes sentimos que isso não está presente no nosso dia-a-dia?
            Antes de falar da nossa sociedade, vou comentar como foram formadas outras. Alguns países vêm de uma formação organizada, têm histórico de luta pelo nacionalismo, guerra entre reinos rivais e alianças entre os que poderiam se ajudar. No nosso país, isso não aconteceu. O Brasil não foi descoberto como muitos dizem e muito menos planificado, ele foi explorado e covardemente dominado, formando-se, assim, de uma maneira mal organizada, com uma cultura patriarcal e cada um pensando no seu próprio interesse e não pelo bem da coletividade.
            E talvez o sentimento de falta de dignidade em nosso país venha desse crescimento e formação política sem planejamento. E o pior… Muitos enxergam o problema, mas não querem abrir mão do que é seu para tentar mudar em prol da sociedade.
            E o que podemos tentar fazer para tentarmos melhorar nossa qualidade de vida? Temos que conhecer nossos direitos de cidadão (muito mais do que apenas de consumidor), ser mais politizados (apesar de haver muito preconceito em relação a esse tema), tentar obter o máximo de conhecimento sobre o mundo e não se conformar com o que aparentemente é normal, ainda que seja ruim.
            Para mim, normal é a gente ter uma vida digna, poder se relacionar de forma saudável com os outros, ter as mesmas oportunidades e poder lutar pelos nossos direitos. Mesmo que seu conceito de “normal” seja diferente do meu, fica aqui uma reflexão sobre a vida e de como viver melhor.

(sei que dignidade é uma palavra um pouco geral e relativa, mas pode entender como quiser, esse é o objetivo, você interpretar se acordo com sua realidade)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

As publicidades dizem que sim.





         O objetivo desse projeto é mostrar como a publicidade nos faz acreditar em tudo que querem, mas não percebemos quanto lixo e infelicidade estamos criando pouco a pouco. Pensamos que agimos e pensamos por nossa conta, mas não. Ainda que sejamos inteligentes e com estudos, há algo no nosso subconsciente. Não nos damos conta de pequenas coisas. E assim vamos vivendo controlados por uma indústria que cria pessoas e coisas perfeitas que quase não podemos conseguir, e gera muita dor e poluição. É assim sempre: tudo é perfeito e nós somente seremos melhores se adquirirmos isso e quando podemos comprar, não está mais na moda e voltamos a ser os imperfeitos e infelizes de antes.

      A música (El Pescao - El Canto del Loco, em espanhol), como quase todas, é aberta para distintas interpretacões. A minha interpretação e a que eu deixo parecer no vídeo é que temos que evoluir e que não temos que ser alguma coisa por ter coisas e temos que tentar melhorar sempre. Talvez nem todas as pessoas vejam a música dessa maneira, mas com um pouco de atenção e imaginação, entenderão quando digo que essa canção tem muito a ver com o significado desse vídeo.

sábado, 20 de novembro de 2010

A imprensa espanhola baseada na entrevista com Josu Mezo


    
Conversei com o espanhol Josu Mezo, editor do blog Mala Prensa (em espanhol) e descobri coisas interessantes sobre a imprensa espanhola. Se nós tentarmos, conseguiremos melhorar a imprensa no nosso país. Leia e aproveite as dicas do professor.

Quem é Josu Mezo?

Ele é licenciado em direito, mestre em ciências sociais, doutor em ciências políticas e professor na Universidad de Castilla-La Mancha, em Toledo, Espanha. Em 2004, criou sua página web para o público que se interessasse por atualidades, notícias, informações, meios de comunicação. De lá pra cá, foi percebendo que quem lê e participa mais ativamente são jornalistas ou pessoas relacionadas profissionalmente aos meios de comunicação.





Sobre o blog

O blog comenta e denuncia erros que o editor e seus colaboradores encontram ao ler um jornal ou ao assistir um noticiário. A ideia surgiu, de acordo com a descrição da página, por uma obsessão pessoal, que compartilhava com seus amigos, sobre a baixa qualidade da imprensa.
Mas não aquela qualidade inferior relacionada à manipulação proposital motivados pela política. Mas sim aqueles erros que os jornalistas não percebem por ignorância, a falta de tempo ou recursos, pela maneira do sistema de produção ou como estão organizados seus meios. Seu blog é composto por detalhes. Pequenos erros da imprensa que dão menos credibilidade ao que deveria ser um serviço público.



Manipulação proposital e erros que não deveriam existir

Ele me disse que a manipulação proposital é um tema muito discutido e, ele espera, que a maioria das pessoas tem consciência dela. Esse tipo de erro é realmente muito grave e existe muito. Mas há também outros erros importantes, como os que ele aponta no blog, que passam despercebidos pelas pessoas.
Aparentemente há uma consciência do público, mas ele acredita que seria melhor se as pessoas soubessem da capacidade que tem para entender as notícias. Nós deveríamos nos armar com certas ferramentas críticas para sabermos do valor que cada informação tem ao lermos uma notícia científica, social, alguma estatística ou comparações de fenômenos.
Isso porque há certos casos que falta um pouco de conhecimento de mundo, em matemática bem básica ou de lógica para perceber que alguns números são apenas variações normais, de por exemplo, ano a ano, e não significa quase nada. Por isso tem que haver o espírito, a mentalidade, a ideia e conhecimento de como funciona os meios de comunicação.


Ensinando os jovens como a imprensa funciona.

Ele comentou que deveriam ensinar aos jovens como é essa dinâmica da imprensa. Para eles saberem que, por exemplo, os meios dependem muito de informações que foram elaboradas por outras fontes, algumas vezes, uma única. E que esses meios não têm muitos recursos para reelaborar ou analisar esse dado, vinculam da maneira que foi entregue, sem verificar. Temos que desconfiar quando a notícia vem de apenas uma fonte, como uma nota à imprensa de uma multinacional, por exemplo.



Censura, auto-regulamentação e punição pelo cliente

Sobre punição para os erros flagrados na mídia, ele acredita que o melhor “castigo” para o meio que publicou o erro seria o expor um pouco ao ridículo e perder clientes, no caso, espectadores, ouvintes ou leitores.
Ele disse que tenta fazer sua parte comentando e divulgando os erros que encontra, mas pensar que a televisão vai deixar de mostrar gráficos de uma maneira ou de outra só porque o público se incomoda, é muita ingenuidade. Até porque se eles não se importam em preencher sua programação com lixo, ninguém vai pensar que estão dando estatísticas erradas. No entanto, “pôr uma autoridade para colocar uma multa econômica ou algo, seria um disparate”, ele diz. O que poderia haver é uma sanção moral ou conselhos que os meios aderissem voluntariamente e que tenha que seguir as regras aceitas de antemão. No Brasil há o FENAJ e na Espanha a FAPE.


Estudantes de Jornalismo


Como nós, novos jornalistas, podemos atuar com ética se dependemos da linha editorial para mantermos nosso emprego? Quando eu perguntei isso, ele disse que, francamente, não tinha uma resposta. Disse também que é uma situação muito difícil e delicada e que não gostaria de estar nela. Mesmo que nosso meio exija que sejamos antiéticos de vez em quando, temos que tentar ganhar pequenas batalhas dentro do jornal, para tentar fazer as coisas mais certas. E também quando não estamos na “linha de fogo”, quer dizer, se não escrevemos as matérias de capa ou editorial, talvez possamos usar uns critérios mais decentes, quando escrevemos notícias que não tem tanta inclinação política. Josu comentou ainda que, por causa do blog, acabou conhecendo jornalistas e que são pessoalmente muito honestos, mas têm que cumprir algumas ordens. Só que eles mesmos têm consciência disso, até riem e zombam de seus próprios chefes.



Credibilidade

Não é porque Mezu é advogado, mestre, doutor e professor de universidade que as pessoas param para ler seu blog. A internet é um meio muito democrático, segundo ele. Nela não é preciso estar vinculado a grandes jornais, editoras, grandes marcas, quem lê e gosta do que ele escreve, não precisa saber antes qual é sua formação. A pessoa simplesmente gosta do conteúdo. Ele começou do nada, não tem formação na área da comunicação e mesmo assim existe público, que ele diz não ser grande. E algumas pessoas até colaboram. O que muda por sua formação e por ser tanto tempo como professor é a forma que ele pensa, expressa e forma o conteúdo de sua página.
Sendo assim, noto que qualquer cidadão interessado ou que sinta necessidade de começar um espaço para discussão e análise de qualquer tema, até mesmo relacionado a isso, poderá ter sucesso. Ele me contou que começou do nada, comentando nos blogs de outras pessoas do mesmo tema, fazendo parte de discussões e sempre assinando com seu link, para que os outros passassem a conhecer. Ou seja, se cada um fizer sua parte, se conscientizar e colocar em prática, pode ser só um grão de areia, mas já é uma grande coisa.




Espanha e Brasil, alguma semelhança?

A imprensa espanhola realmente tem muito erro de todo tipo. Mas o que isso tem a ver com nosso país?
Meia hora de jornalismo na TVE, no Telemadrid, no Telecinco ou fazendo uma leitura crítica dos jornais  em destaque daqui como ABC, El Mundo ou El País me fez valorizar muito a imprensa brasileira que, para mim, na forma, tem uma qualidade superior.
Mas qualidade da forma não garante qualidade no conteúdo. Isso não significa que a imprensa não erra. Mas o ponto positivo é que os erros cotidianos por falta de atenção, ignorância ou apenas falta de tempo, não acontece com tanta frequência como aparentemente acontece aqui. O ponto negativo é que os erros de propósito por inclinação política estão estampados em cada capa de revista, jornal ou no tom de voz da apresentadora do jornal das 20h... E muita gente não percebe isso.
Josu Mezo comentou que aqui na Espanha ele acredita ter mais conscientização sobre a manipulação proposital do que sobre os erros cotidianos. Deve ser porque os erros são tão escancarados que se percebem mais.
No Brasil não. Os erros parecem que não estão ali. O dito parece ser única verdade e que não existe parcialidade por que não deixam explícito. Claro que quando o apresentador é grosso com a candidata do partido que a rede não apóia desde quando Collor foi eleito, as pessoas percebem e comentam, ainda mais hoje com as redes sociais a flor da pele, mas não é a mesma coisa.
No Brasil se percebe os erros pequenos, mas não se percebe o jogo de interesses. Levam como verdade a capa da Veja, da Folha e do Estado e tudo o que se diz no Jornal Nacional é a realidade.
Temos que conhecer nossos meios de comunicação para entender que não é assim. Todos têm seus interesses. E a desculpa, o que é também a solução, é: o conteúdo é o interesse do público e não interesse público.

Continue lendo sobre a manipulação da mídia nos links Manipulação Midiática  e Como a mídia desvia sua atenção dos assuntos importantes

domingo, 14 de novembro de 2010

Hipocrisia, homobofia e (falta de) bom senso no julgamento.


Jovem de 18 anos é preso por beijar garoto de 13 em cinema de shopping


  De acordo com lei, o simples fato de um maior de idade beijar um menor de 14 anos está cometendo um crime, o de estupro. Ainda que o menor tenha consentido porque ele não pode responder pelos seus atos. Agora o estudante é criminoso por beijar um menor de idade... Ou será que todo escândalo gira em torno do fato de se tratar de dois homens?
  Quando Ana Borges* (22) tinha 13 anos, era uma criança, em contrapartida, suas amigas eram todas 'mocinhas'. Ana não ficava com meninos mais velhos, suas amigas sim. Ela se considerou “criançona” até seus 18 anos. Segundo ela, depois que entrou na faculdade que começou a amadurecer. Mas suas amigas que eram desenvolvidas não viam problema em sair com caras mais velhos, incluindo maiores de idade. Como a menina amadurece mais rápido que o menino, elas não queriam ficar com meninos mais novos, por serem infantis. Ainda assim, a idade é a mesma "13 e 18".
  O estudante de 18 anos foi preso e, de acordo com essa matéria, acusado de estupro, pode pegar 14 anos de prisão. O rapaz agora é um criminoso. Estuprou o menino quando o beijou no cinema do shopping. Não foi no carro em um terreno baldio e a força, foi em lugar público e com o consentimento do menor. De acordo com a discussão que eu vi no Orkut, o maior foi acusado de estar cometendo ato libertinoso com um menor de 14 anos, que não responde pelos seus atos. E as meninas de essa idade, respondem?  
  De acordo com o portal da Band, o delegado Natanael da Silva Abreu, responsável pelo caso, afirmou que o caso "é grave mesmo, o legislador fez essa lei com muito rigor, pra ver se inibe essa prática delitiva”. Eu não teria coragem de dizer isso diante desse caso. Não porque as leis às vezes não fazem sentido, mas porque eu sei que as amigas de Ana não viram seus namorados irem presos? A lei existe e se vai  ser cumprida, que seja cumprida em casais heterossexuais também. Mas ninguém fica na porta do cinema pedindo RG para o casal hétero. Chama muito menos atenção, principalmente, quando a menina de 13 anos já tem o corpo desenvolvido.
  Conheci meninos que com 18 anos pareciam ter 15. Conheço hoje de 20 e poucos que parecem ter 18. Porque o acusado, por ser maior de idade, não pode ser imaturo como esses meus amigos? Porque ele tem que ser tratado como “homem” e os namorados das amigas de Ana eram tratados como “moleques”?
  Onde está a sociedade não preconceituosa, não machista, moderna, cabeça aberta e igualitária que eu pensava que existia? Onde está o direito de amar e ser amado com liberdade? Para mim essa atitude foi mais homofóbica do que simplesmente cumprimento de lei. Se fosse um casal hétero não ia ter problema. Casos assim têm que ser tratados com individualidade, não podem deixar o moço passar (que seja) 2 meses na prisão por beijar o garoto.


  Eu espero, de coração, que responsáveis por esse caso tomem a decisão correta baseada não só na lei, como no bom senso.

*Ana pediu para mudar seu nome para não expor sua vida pessoal.


Olha que legal o link que eu achei: MOVIMENTO DA DIVERSIDADE SOCIAL (MDS) do Rio de Janeiro.




obs.: Eu não acredito 100% nos portais do G1 e da Band, mas se vocês ignorarem a maneira que a mensagem é passada e pegar só as informações (e se quiserem procurar outras fontes sobre esse caso), vão ter apenas o ocorrido, incluindo os dados e falas dos envolvidos, com o delegado.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Manipulação midiática

         Quando o governo alemão começou a matar os judeus, a imprensa americana não noticiava como uma história importante e de interesse público. De acordo com o documentário Holocaust: The Untold Story (eu assisti no Newseum), as mortes eram noticiadas em pequenas notas nas páginas de dentro dos jornais. Quando já era tarde demais, os jornais importantes começaram a fazer desse assunto, primeira página. Motivo? Interesses pessoais.
         O que aconteceria se colocassem assim que soubessem nas primeiras páginas de seus New York Times e Washigton Post? Moveriam a opinião pública e poderiam ter conscientizado os cidadãos que algo não ia bem? Isso poderia mudar a política do governo? Poderiam ter evitado mortes e tanto sofrimento? Poderiam ter mudado o rumo da história mundial?


         Se você pensa que está muito longe da nossa realidade e que isso não vai se repetir porque foi há muito tempo e que hoje a comunicação e a tecnologia fazem as informações serem mais certas e que não dá para esconder nada... Está enganado. Por exemplo, durante 12 anos a rede CNN monopolizou as imagens da Guerra do Golfo e o mesmo aconteceu na guerra do Iraque (isso se não está acontecendo também nesse momento, o que não duvido). As guerras, para os americanos, são como seu governo quer que seja. Muita glória, poucos soldados mortos e nenhum civil afetado. E a realidade não é essa. Isso porque estamos falando de uma guerra! Imagine qualquer outro assunto que quiser, a facilidade que um canal de televisão tem para esconder um escândalo, por exemplo.


         Saber disso tudo te faz sentir uma vítima? ( ) sim ( ) não ? Se não, ótimo. Se sim, não deveria. Admito que a mídia tem sua parcela - alta - de culpa sim. Mas nós espectadores também. Nós somos os consumidores dessas informações e deveríamos escolhê-las bem, mas não fazemos isso. É muito mais fácil quando consumimos só o que nos oferecem, sem que seja feito um esforço para refletir ou buscar mais além do nosso jornal preferido. Então, considero o consumidor como cúmplice da manipulação da mídia. Se ninguém deixasse ela nos manipular, isso não aconteceria. 

         Ok, nem todos têm instrução para saber disso, então o que fazer? Nós, que temos boa educação, deveríamos começar a mudar um pouco. Se informar com mais de uma linha editorial (o que é isso?), duvidar de tudo o que dizem, ter sua própria linha de pensamento lógica e não fazer da opinião de um jornal, revista, político ou qualquer um, o seu ponto de vista. 

         Cúmplices sim, vítimas não. Você pode escolher. Não podemos fazer a mídia ser totalmente imparcial e independente, mas podemos nos adaptar a ela. Como países democráticos, de certa maneira, é bom ter dois jornais concorrentes falando do mesmo assunto sob pontos de vistas distintos. Assim podemos compará-los e decidirmos, por nós mesmos, o que é certo e o que não é. O que é verdade e o que não é. Já que a parcialidade existe, ainda bem que há vários de vários pontos de vista. Imagina se tivéssemos apenas um jornal com só um ponto de vista, o do governo, por exemplo? 
         Ficar parado, de braços cruzados, pensando na novelinha de hoje à noite e quem vai entrar no próximo BBB não é a melhor maneira de fazer o mundo andar pra frente. E se você realmente pensa isso importante e que você já faz sua parte, acho que se chegou até aqui é porque sabe que pode fazer melhor! Então FAÇA!!!


Nesse blog há artigos relacionados com essa linha de pensamento. Se ficou interessado, vai descendo e olhando para ver o que te interessa.






Como exercício, analize essa capa de um site de notícias, com o público alvo de homossexuais:



 
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